A taxa de saque de cripto muda conforme a rede que você escolhe — e a diferença pode passar de 10 vezes para a mesma moeda, na mesma corretora. Consultamos a API pública da Bitget em 29/08/2026: sacar USDT via TRC20 custava 1,5 USDT, enquanto BEP20, Arbitrum, Optimism e TON custavam 0,15 USDT. Ou seja, a velha regra de que “TRC20 é sempre a mais barata” já não vale. Neste guia você vê os números reais, aprende a conferir a taxa sozinho e recebe um checklist para nunca perder cripto escolhendo a rede errada.


Ilustração de uma moeda digital com vários caminhos de rede, cada um com custo de saque diferente
A mesma moeda pode viajar por redes diferentes — e cada rede cobra um pedágio diferente.

O que é a taxa de saque de cripto?

Resposta rápida: é o valor que a corretora desconta quando você envia cripto para uma carteira externa, para cobrir o custo da transação na blockchain.

Quando você saca criptomoeda de uma corretora — por exemplo, envia USDT da Bitget para a sua carteira própria ou para outra exchange —, essa transferência precisa ser registrada em uma blockchain. Registrar uma transação em blockchain custa dinheiro: são as chamadas taxas de rede (gas fees ou network fees). A corretora repassa esse custo para você na forma de uma taxa de saque fixa por moeda e por rede, geralmente descontada do próprio valor sacado.

Taxa de saque não é taxa de negociação

É comum confundir as duas. A taxa de negociação (maker/taker) incide quando você compra ou vende dentro da corretora. A taxa de saque incide quando você tira a cripto da corretora para um endereço externo. São cobranças independentes — uma corretora pode ter negociação barata e saque caro, ou o contrário. Já explicamos as taxas de negociação em detalhe no nosso comparativo de taxas das corretoras de criptomoedas.

Quem define o valor: a corretora, não só a blockchain

A taxa de saque que você paga é definida pela corretora, tomando o custo real da rede como referência. Por isso a mesma rede pode ter taxas de saque diferentes em corretoras diferentes — e é por isso que comparar vale a pena.

Por que a mesma moeda tem taxas tão diferentes por rede?

Resposta rápida: porque cada blockchain tem custo de processamento próprio. O USDT é a mesma moeda, mas viaja por trilhos diferentes — e cada trilho cobra um pedágio diferente.

Stablecoins como o USDT existem em várias blockchains ao mesmo tempo: Ethereum (padrão ERC20), Tron (TRC20), BNB Smart Chain (BEP20), Arbitrum, Polygon, Solana e outras. O token é equivalente em valor — 1 USDT vale 1 USDT em qualquer rede —, mas o custo de mover esse token depende de quanto cada blockchain cobra para processar transações. Se você ainda tem dúvida sobre o que é essa moeda, veja nosso guia o que é USDT e como funciona uma stablecoin.

Redes congestionadas cobram mais

A Ethereum é a rede mais usada para aplicações financeiras descentralizadas, e isso a torna cara: cada transação disputa espaço no bloco. Redes mais novas ou de segunda camada (Arbitrum, Optimism) foram desenhadas justamente para processar transações com custo muito menor.

O mito da TRC20: a regra antiga já não vale

Durante anos, a recomendação padrão em todo blog de cripto foi “use TRC20, é a mais barata”. Essa informação ficou desatualizada. Em 2024–2025 a rede Tron ficou mais cara de operar, e as corretoras repassaram o aumento. Na nossa consulta de 29/08/2026, sacar USDT via TRC20 na Bitget custava 10 vezes mais que via BEP20, Arbitrum ou Optimism. Quem segue a regra antiga sem conferir está pagando caro à toa.

Quanto custa sacar USDT por rede hoje (dados reais)

Resposta rápida: na consulta de 29/08/2026 à API pública da Bitget, as redes mais baratas para sacar USDT eram Plasma (0,001), Aptos (0,03) e AVAX C-Chain (0,11). TRC20 (1,5) e ERC20 (0,8) estavam entre as mais caras.

A tabela abaixo não veio de outro blog: consultamos diretamente o endpoint público da Bitget (api.bitget.com/api/v2/spot/public/coins), que devolve a taxa de saque de cada moeda em cada rede, sem exigir login nem chave de API. Verificado em 29/08/2026.

Rede Taxa de saque (USDT) Saque mínimo (USDT) Observação
Plasma 0,001 10 A mais barata da lista — rede recente, verifique se o destino aceita
Aptos 0,03 10 Muito barata, pouco comum como destino
AVAX C-Chain 0,11 10 Barata e razoavelmente aceita
BEP20 (BNB Smart Chain) 0,15 10 Barata e aceita na maioria das corretoras
Arbitrum One 0,15 10 Segunda camada da Ethereum, ampla aceitação
Optimism 0,15 10 Segunda camada da Ethereum
TON 0,15 10 Popular por causa das carteiras no Telegram
Polygon 0,20 10 Opção tradicional de baixo custo
ERC20 (Ethereum) 0,80 10 Necessária para muitos protocolos DeFi
TRC20 (Tron) 1,50 10 A “queridinha” dos guias antigos — hoje é uma das mais caras
Solana 1,00 10 Saque estava suspenso na consulta (withdrawable: false)
Morph 0,10 10 Rede recente, pouca aceitação como destino

Arraste a tabela para o lado para ver todas as colunas.

Leitura prática da tabela: se você saca USDT com frequência entre corretoras, migrar de TRC20 (1,5) para BEP20 ou Arbitrum (0,15) economiza 1,35 USDT por operação — cerca de 90% da taxa. Em dez saques por mês, a diferença passa de 13 USDT, mais que o saque mínimo inteiro.

Atenção: esses valores são da Bitget e valem para USDT. Outras corretoras e outras moedas têm tabelas próprias — e todas mudam com o tempo. Use a tabela como retrato do dia da consulta, não como verdade eterna. Mais abaixo mostramos como consultar o valor atual você mesmo.

Como verificar as taxas você mesmo, sem confiar em blog

Resposta rápida: a API pública da Bitget devolve todas as taxas de saque em uma única chamada, sem cadastro. Basta abrir a URL ou rodar um comando curl.

A maior parte do conteúdo em português sobre taxas de cripto se copia mutuamente — foi assim que a regra “TRC20 é a mais barata” sobreviveu anos depois de deixar de ser verdade. Nossa metodologia é diferente: publicamos a fonte para você reproduzir a consulta.

Passo a passo da consulta

No computador, abra o terminal (ou simplesmente cole a URL no navegador) e rode:

curl "https://api.bitget.com/api/v2/spot/public/coins?coin=USDT"

A resposta é um JSON com um bloco chains listando cada rede disponível. Os campos que interessam:

Campo O que significa
chain Nome da rede (TRC20, BEP20, ArbitrumOne…)
withdrawFee Taxa de saque, na própria moeda
minWithdrawAmount Valor mínimo por saque
withdrawable true/false — se o saque está habilitado naquela rede

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Troque USDT por BTC, ETH ou qualquer outra moeda para ver as taxas dela. Nem toda corretora oferece esse nível de transparência sem login — é um dos motivos de usarmos a Bitget como referência de dados neste artigo. Transparência: desde 29/08/2026 temos código de parceria da Bitget (WIN888, declarado na nossa política de afiliados), mas a escolha dela como referência de dados foi feita antes e é puramente pela API aberta.

Checklist: como escolher a rede certa sem perder fundos

Resposta rápida: a regra número um não é preço — é compatibilidade. A rede escolhida no envio precisa ser exatamente a mesma que o destino aceita, senão os fundos podem ser perdidos de forma irreversível.
⚠️ O erro que custa 100%: enviar por uma rede que o endereço de destino não suporta pode significar perda total do valor. Economizar 1 USDT de taxa não compensa arriscar o saque inteiro. Se a carteira de destino só aceita TRC20, use TRC20 — mesmo sendo mais cara.

Antes de confirmar qualquer saque, passe por esta lista:

  1. Confira quais redes o destino aceita. Na corretora ou carteira de destino, abra a tela de depósito da moeda e veja as redes listadas. Só essas são candidatas.
  2. Escolha a rede na origem e confirme que é idêntica. “BEP20” e “BEP2” são redes diferentes; “Arbitrum One” e “Arbitrum Nova” também. O nome precisa bater exatamente nas duas pontas.
  3. Compare a taxa apenas entre as redes compatíveis. Com duas ou mais opções válidas, aí sim escolha a mais barata.
  4. Verifique o saque mínimo. Não adianta a taxa ser baixa se o seu valor não atinge o mínimo da rede.
  5. Faça um envio de teste em valores altos. Para quantias relevantes, envie primeiro um valor pequeno, confirme a chegada e só então mande o restante. Você paga a taxa duas vezes, mas elimina o risco de perder tudo.
  6. Confira o endereço caractere por caractere. Malwares de área de transferência trocam endereços copiados. Verifique ao menos os primeiros e os últimos caracteres.

Ilustração de duas peças de quebra-cabeça sobre uma ponte, representando a compatibilidade de rede entre origem e destino do saque
Origem e destino precisam falar a mesma rede: compatibilidade vem antes de preço.

As taxas mudam: a tela de saque é a palavra final

Resposta rápida: taxas de saque acompanham o custo das blockchains e são revisadas pelas corretoras sem aviso. O valor exibido na tela de confirmação do saque é o único que vale.

Qualquer tabela de taxas — inclusive a deste artigo — envelhece. As corretoras revisam os valores conforme o congestionamento e o preço do gás em cada rede sobem ou descem. O caso da TRC20 é a prova: a rede que era referência de economia virou uma das mais caras, e a maioria dos guias em português nunca atualizou a recomendação.

Três hábitos que evitam surpresa

  • Leia a taxa na tela de confirmação, não em posts antigos. A corretora sempre mostra a taxa e o valor líquido antes de você confirmar.
  • Repita a consulta à API (seção acima) quando for planejar transferências grandes ou frequentes.
  • Desconfie de “regras eternas”. Se um conteúdo afirma que determinada rede “é sempre a mais barata” sem citar data de verificação, ele provavelmente está reciclando informação velha.

Taxa de saque de cripto vs. saque em reais via PIX

Resposta rápida: são operações diferentes. O saque de cripto move moeda entre blockchains e paga taxa de rede; o saque via PIX converte cripto em reais e cai na sua conta bancária, com regras e custos próprios.

Muita gente pesquisa “taxa de saque” querendo, na verdade, transformar cripto em reais na conta do banco. Vale separar os dois caminhos:

Característica Saque de cripto (on-chain) Saque em reais (PIX)
O que sai A própria criptomoeda Reais (R$), após venda da cripto
Para onde vai Carteira ou outra corretora Sua conta bancária
Custo Taxa de rede, varia por blockchain Taxa da corretora (algumas cobram zero) + spread da venda
Depende de rede? Sim — escolha errada pode perder tudo Não — PIX usa chave bancária
Quando usar Autocustódia, mover entre corretoras Realizar lucro, usar o dinheiro no dia a dia

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Se o seu objetivo é dinheiro na conta, o caminho completo — incluindo prazos, limites e cuidados com a Receita — está no nosso guia de como sacar cripto em reais via PIX. E se você está montando reserva de longo prazo em autocustódia, o saque on-chain é justamente o passo para levar as moedas à sua carteira — avaliamos quando isso compensa em carteira fria: vale a pena?.

Dica de economia composta: quem transfere entre corretoras com frequência pode combinar as duas pontas — entrar por depósito via PIX (geralmente gratuito) e mover cripto apenas por redes baratas como Arbitrum ou BEP20. A soma das pequenas taxas evitadas ao longo do ano é relevante.

Perguntas frequentes sobre taxa de saque de cripto

A rede TRC20 ainda é a mais barata para sacar USDT?

Não. Na nossa consulta à API pública da Bitget em 29/08/2026, o saque de USDT via TRC20 custava 1,5 USDT, contra 0,15 USDT em BEP20, Arbitrum One, Optimism e TON — dez vezes mais caro. A recomendação “use TRC20” ficou desatualizada; confira sempre a taxa atual na tela de saque.

O que acontece se eu escolher a rede errada no saque?

Se o endereço de destino não suportar a rede escolhida, os fundos podem ser perdidos de forma irreversível. Em alguns casos a corretora de destino consegue recuperar mediante taxa e processo manual, mas não há garantia. Por isso a compatibilidade de rede entre origem e destino vem antes de qualquer comparação de preço.

A taxa de saque vai para a corretora ou para a blockchain?

Para as duas. A corretora usa a taxa para pagar o custo real da transação na blockchain e define o valor cobrado de você, que pode incluir margem. Por isso a mesma rede pode ter taxa de saque diferente em corretoras diferentes — comparar antes de mover valores grandes faz diferença.

Pago alguma taxa para receber cripto na minha carteira?

Não. Quem paga a taxa de rede é quem envia. Ao receber cripto em uma carteira ou corretora, não há cobrança — mas você precisa informar ao remetente um endereço na rede correta, e conferir se a corretora aceita depósitos naquela rede.

Saque em reais via PIX também tem taxa de rede?

Não. O saque via PIX não passa por blockchain: a corretora vende sua cripto e envia reais para sua conta bancária. Os custos são a eventual taxa de saque em reais da corretora e o spread na conversão. Taxa de rede só existe quando a criptomoeda sai da corretora para um endereço on-chain.

Preciso declarar meus saques de cripto à Receita Federal?

Movimentações com criptoativos no Brasil estão sujeitas às regras de declaração da Receita Federal (norma DeCripto, IN RFB 2.291/2025, que substituiu a IN 1.888). Transferir cripto para a própria carteira não gera imposto por si só, mas as posições devem constar na declaração anual e as vendas com lucro podem gerar tributação. Este artigo não é aconselhamento tributário; consulte um contador para o seu caso.